A UEFA anunciou, em 11 de setembro de 2026, um novo conjunto de medidas para ampliar a presença de mulheres e de profissionais do futebol feminino nos cursos de formação de treinadores. A iniciativa inclui mudanças no acesso à licença UEFA Pro, considerada a principal certificação de treinadores no continente, e a definição de parâmetros mínimos de qualificação para clubes que disputam as principais competições europeias.
O plano está relacionado à estratégia institucional Unstoppable, da UEFA, voltada ao desenvolvimento do futebol feminino. Segundo a entidade, as medidas buscam combinar a expansão das oportunidades de formação com o aumento das exigências profissionais em um cenário de crescimento das competições de clubes.
Mais vagas para profissionais do futebol feminino
Uma das principais mudanças apresentadas pela UEFA é a possibilidade de ampliar de 20 para 24 o número de vagas nos cursos da licença UEFA Pro. As quatro vagas adicionais serão reservadas a treinadoras e a profissionais que já atuam no futebol feminino, criando uma porta de entrada específica para pessoas ligadas à modalidade.
As associações nacionais também poderão organizar turmas extras. Nesses grupos, pelo menos metade das vagas deverá ser destinada a técnicos que trabalham no futebol feminino. A medida permite que cada país adapte a oferta de formação às suas necessidades, sem limitar o acesso aos cursos apenas à estrutura regular já existente.
A UEFA informou que seu programa de desenvolvimento de treinadoras, criado em 2016, já ajudou mais de 3 mil mulheres a avançarem na carreira. Desse total, mais de 150 obtiveram a licença UEFA Pro. Os números apresentados pela entidade indicam que a formação profissional passou a ser tratada como uma frente estratégica para consolidar o crescimento do futebol feminino europeu.
Formação mais acessível para jogadoras em atividade
O novo plano também prevê caminhos mais flexíveis para jogadoras que ainda estão em atividade e para ex-atletas interessadas em migrar para a carreira de treinadora. A UEFA informou que cursos poderão ser organizados durante as datas destinadas aos jogos internacionais, uma alternativa para facilitar a conciliação entre a formação, a rotina de clubes e o calendário das seleções.
Essa possibilidade reconhece a experiência acumulada por atletas que desejam continuar ligadas ao futebol depois da aposentadoria ou iniciar uma nova etapa profissional antes de deixar os gramados. A proposta não elimina os requisitos de qualificação, mas amplia as condições para que jogadoras e ex-jogadoras consigam cumprir o processo de formação.
Ao incluir profissionais que já conhecem a realidade da modalidade, a iniciativa conecta a experiência prática das atletas aos critérios técnicos exigidos pelas licenças da UEFA. O objetivo anunciado, porém, está concentrado na criação de oportunidades de acesso e na organização dos cursos, sem estabelecer uma dispensa geral das etapas de certificação.
Novas exigências para clubes europeus
A partir da temporada 2029/30, os treinadores principais de clubes participantes da Liga dos Campeões Feminina e da UEFA Women’s Europa Cup precisarão atender a requisitos mínimos mais elevados de qualificação. Nos países signatários da Convenção de Treinadores da UEFA, será exigida a licença UEFA Pro.
Nos demais casos, os treinadores principais deverão apresentar a licença UEFA A. Para os integrantes que ocupam a função de assistente, a exigência será de licença UEFA A ou UEFA B, conforme a situação da associação nacional correspondente.
Com a mudança, a entidade estabelece uma referência comum para as comissões técnicas das competições europeias de clubes. A regra terá aplicação futura, com entrada em vigor prevista para 2029/30, permitindo que federações, clubes e profissionais tenham tempo para se adequar aos parâmetros definidos.
Qualificação acompanha expansão da modalidade
O anúncio ocorre em um momento de maior visibilidade e profissionalização do futebol feminino na Europa. Ao mesmo tempo em que cria mecanismos específicos para ampliar a participação de treinadoras, a UEFA eleva o nível mínimo de formação exigido nas competições continentais.
A combinação entre acesso e cobrança define o eixo central da iniciativa. De um lado, a entidade reserva vagas, autoriza turmas adicionais e prevê formatos compatíveis com o calendário internacional. De outro, determina que os clubes participantes das competições europeias tenham profissionais com licenças correspondentes às responsabilidades exercidas.
Para o futebol feminino, a medida coloca a carreira de treinadora no centro do desenvolvimento da modalidade. A implementação das novas regras dependerá da atuação conjunta da UEFA, das associações nacionais, dos clubes e das próprias profissionais, que terão de acompanhar os caminhos de formação disponíveis até a temporada prevista para a mudança.
As informações sobre as vagas, os formatos de curso e os requisitos futuros foram divulgadas pela UEFA em 11 de setembro de 2026.