O programa Vale do Lítio completou três anos em 9 de maio de 2026 com R$ 6,9 bilhões em investimentos privados previstos para o Norte e o Nordeste de Minas Gerais. A iniciativa do Governo de Minas busca desenvolver a cadeia produtiva do mineral no estado, especialmente no Vale do Jequitinhonha, região que reúne municípios envolvidos em etapas de extração, beneficiamento, pesquisa e qualificação profissional.
De acordo com a Agência Minas, os investimentos anunciados podem contribuir para a geração de aproximadamente 6 mil empregos na região. A divulgação também destaca avanços no Produto Interno Bruto de municípios do Jequitinhonha, em um movimento associado à expansão das atividades ligadas ao lítio.
Entre os municípios citados no contexto do programa estão Araçuaí, Itinga, Divisa Alegre e Nazareno. A distribuição dos projetos indica que a estratégia não está concentrada apenas na retirada do minério, mas envolve a formação de uma cadeia com diferentes etapas e impactos econômicos potenciais para as cidades participantes.
Investimentos avançam para além da extração
Um dos movimentos mais recentes ocorreu em 12 de fevereiro de 2026, quando o Governo de Minas acompanhou o anúncio de um aporte da empresa indiana Altmin na Companhia Brasileira de Lítio. O investimento é de US$ 40 milhões, valor informado na ocasião como equivalente a cerca de R$ 220 milhões, e será destinado à ampliação da refinaria localizada em Divisa Alegre.
Segundo a Agência Minas, a expansão terá foco na produção de compostos químicos de lítio. A etapa de refino é relevante porque amplia o processamento realizado no próprio estado e aproxima a atividade minerária de segmentos associados a baterias, veículos elétricos e tecnologias de armazenamento de energia.
O avanço também reforça a tentativa de Minas Gerais de se posicionar no mercado de minerais estratégicos para a transição energética. Nesse cenário, o lítio ganhou importância por ser utilizado em tecnologias relacionadas à eletrificação e ao armazenamento, embora a existência de investimentos não represente, por si só, garantia de desenvolvimento equilibrado para as comunidades locais.
Produção brasileira cresce, aponta levantamento da ANM
Os dados nacionais ajudam a dimensionar o momento vivido pelo setor. Conforme o Sumário Mineral Brasileiro 2025, da Agência Nacional de Mineração, o Brasil produziu 944.114 toneladas de concentrado de espodumênio em 2024. O volume, associado à produção de lítio, representou crescimento de 71% em relação ao ano anterior.
As principais operações estão concentradas em Minas Gerais, especialmente no Vale do Jequitinhonha e em municípios da região Central do estado. A concentração territorial reforça o papel mineiro na produção nacional, mas também aumenta a necessidade de planejamento público para lidar com os efeitos econômicos, sociais e ambientais da expansão da mineração.
Além da extração e do processamento, o programa Vale do Lítio prevê ações relacionadas à pesquisa, à qualificação profissional, à infraestrutura e à agregação de valor. Esses eixos são importantes para que a movimentação financeira dos projetos se converta em oportunidades permanentes para trabalhadores e empresas instaladas na região, e não apenas em atividades temporárias durante a implantação dos empreendimentos.
Desafios para transformar investimento em desenvolvimento
O crescimento da cadeia do lítio ocorre em uma região marcada por desigualdades históricas e por desafios de infraestrutura. Por isso, a chegada de novos projetos exige acompanhamento sobre a capacidade dos municípios de oferecer serviços públicos, preparar mão de obra e absorver o aumento da circulação de pessoas e empresas.
Também permanecem como pontos centrais a fiscalização ambiental e a distribuição dos benefícios da atividade minerária. A expansão precisa ser acompanhada por transparência, monitoramento dos impactos e participação das comunidades afetadas. A geração de empregos e o aumento da arrecadação são objetivos relevantes, mas devem ser analisados junto às condições concretas deixadas pelos empreendimentos no território.
Ao completar três anos, o Vale do Lítio reúne cifras expressivas e novos projetos para ampliar a presença de Minas Gerais na cadeia global do mineral. O desafio para o Jequitinhonha será transformar os investimentos previstos em desenvolvimento regional duradouro, com qualificação, infraestrutura, proteção ambiental e maior participação dos municípios nos resultados econômicos da atividade.