Felipe Rassi acompanha com atenção a evolução do mercado de NPL no Brasil, um segmento que deixou de ser um nicho operacional restrito a bancos e se transformou em uma indústria com participantes diversos, volumes expressivos e crescente sofisticação analítica. Entender as forças que moldaram esse crescimento ajuda a compreender também para onde esse mercado tende a evoluir nos próximos anos.
Se você acompanha o mercado financeiro ou avalia oportunidades em crédito não performado, este artigo traz um panorama direto sobre os fatores que impulsionaram essa transformação, os perfis de investidores que hoje compõem esse ecossistema e as tendências que devem definir os próximos passos do setor.
O que explica o crescimento expressivo do estoque de créditos não performados?
A trajetória ascendente do mercado de NPL no Brasil está diretamente ligada aos ciclos econômicos que produziram, em diferentes momentos, aumento expressivo da inadimplência. Entre os fatores que mais contribuíram para esse movimento estão:
- Períodos prolongados de juros elevados, que aumentam o custo da dívida e reduzem a capacidade de pagamento de empresas e famílias.
- Retração da atividade econômica e dificuldades setoriais específicas, que geram, ao longo do tempo, um volume crescente de créditos inadimplentes nas carteiras de instituições financeiras e empresas com operação de crédito próprio.
Esse acúmulo criou condições para o surgimento de um mercado secundário robusto, em que essas carteiras passaram a ser negociadas com investidores especializados. A regularidade desse fluxo de oferta, combinada com o desenvolvimento de uma demanda cada vez mais qualificada, consolidou o NPL como uma classe de ativos com características próprias dentro do mercado financeiro brasileiro.
Quais perfis de investidores compõem esse mercado hoje?
Felipe Rassi identifica ao menos três grandes perfis de participantes no mercado brasileiro de NPL atualmente. O primeiro é composto por fundos especializados em recuperação de carteiras de varejo, que operam com grande volume de contratos de baixo valor unitário e dependem fortemente de automação e escala para gerar retorno. O segundo perfil reúne investidores focados em crédito corporativo, que atuam com volumes menores, mas valores unitários muito mais altos, e que dependem de análise individualizada de cada operação.

O terceiro perfil, que ganhou relevância nos últimos anos, é formado por investidores institucionais e fundos internacionais que enxergam no NPL brasileiro uma classe de ativos com potencial de diversificação e retorno ajustado ao risco atrativo em comparação com outros mercados emergentes. A chegada desses participantes trouxe consigo padrões de análise mais rigorosos, que vêm influenciando a forma como as operações são estruturadas e precificadas no mercado local.
Tecnologia como vetor de transformação do setor
Felipe Rassi informa que a tecnologia tem desempenhado um papel cada vez mais central na gestão de carteiras de NPL. Ferramentas de análise de dados permitem segmentar devedores com muito mais precisão, identificando perfis com maior probabilidade de negociação e direcionando recursos de cobrança de forma mais eficiente.
Sistemas de scoring específicos para crédito não performado, que consideram variáveis comportamentais além das tradicionais variáveis financeiras, têm melhorado significativamente as taxas de recuperação em carteiras de varejo. No segmento corporativo, plataformas de gestão de processos jurídicos integradas a sistemas financeiros permitem acompanhar, em tempo real, o status de cada crédito e seu impacto na carteira como um todo, algo que Felipe Rassi considera determinante para a tomada de decisão em portfólios mais complexos.
Tendências que devem moldar o mercado de NPL nos próximos anos
As perspectivas para o mercado de NPL no Brasil seguem favoráveis, ainda que marcadas por maior seletividade dos investidores. Felipe Rassi aponta a securitização de carteiras NPL como uma das tendências mais relevantes a serem observadas, à medida que o ambiente regulatório evolui para acomodar estruturas mais sofisticadas de transferência de risco.
Outra tendência relevante é o aumento da profissionalização exigida tanto de gestoras quanto de prestadores de serviços especializados em recuperação. O mercado brasileiro de NPL está em um momento de transição entre uma fase mais artesanal e uma fase mais institucionalizada, e essa transição deve continuar atraindo capital qualificado e elevando os padrões de governança e transparência em todo o setor.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez