WIFS reúne especialistas no Rio para debater o futuro digital do futebol feminino

Marco Salvani
Marco Salvani

Evento reúne especialistas e lideranças para discutir inovação, tecnologia e novas oportunidades de desenvolvimento para o futebol feminino.

O Rio de Janeiro se tornou, nesta segunda e terça-feira, dias 14 e 15 de setembro, o centro das discussões sobre inovação no futebol feminino brasileiro. O Museu do Amanhã recebeu a primeira edição do Women’s International Football Summit, o WIFS, evento que reuniu clubes, federações, emissoras e empresas de tecnologia para tratar do desenvolvimento e da profissionalização da modalidade, incluindo o papel de novas plataformas digitais na forma como o futebol feminino é produzido, transmitido e consumido pelo público.

O que é o WIFS e por que ele ganha relevância agora

Organizado pela Confut, empresa responsável por outras conferências de negócios do setor esportivo, como a Confut Sudamericana e a Confut USA, o evento chega em um momento estratégico para o futebol feminino brasileiro. O país se prepara para sediar a Copa do Mundo Feminina da Fifa em 2027, torneio que deve acelerar investimentos em infraestrutura, mídia e tecnologia aplicada ao esporte.

O formato do encontro é voltado para negócios entre empresas, reunindo executivos, tomadores de decisão, patrocinadores e prestadores de serviço ligados ao ecossistema do futebol feminino. Entre os temas centrais da programação estão liderança feminina no esporte, diversidade e inclusão, sports business e, de forma explícita, inovação aplicada ao futebol.

A iniciativa conta com apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Esporte e Lazer, o que reforça a conexão do evento com a candidatura da cidade como uma das sedes da Copa do Mundo de 2027. Para os organizadores, o WIFS busca contribuir para o crescimento de longo prazo da modalidade, tanto no Brasil quanto em outros países que vêm investindo no futebol feminino como negócio.

Por se tratar da primeira edição, o evento também funciona como um termômetro do apetite do mercado brasileiro por discussões mais técnicas sobre a modalidade, em um momento em que audiência, patrocínio e visibilidade das competições femininas vêm crescendo de forma consistente no país.

Tecnologia e novos formatos de comunicação em debate

Um dos pontos altos da programação foi o painel “Comunicação do futebol feminino em transformação: novos formatos, plataformas e narrativas”, realizado na terça-feira, dia 15, às 14h30. O debate reuniu profissionais de diferentes frentes da comunicação esportiva para discutir como novas plataformas digitais estão mudando a maneira como as competições femininas são narradas e consumidas pelo público.

A mesa foi moderada por Antonia Pellegrino, diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação, e contou com a participação de Suleima Sena, fundadora do portal especializado Donas FC, da jornalista Rachel Motta, da diretora-executiva da NO MORE Foundation, Daniela Grelin, e da fotojornalista esportiva Lívia Villas Boas. A diversidade de perfis buscou refletir a multiplicidade de formatos que hoje cobrem o futebol feminino, do texto tradicional aos formatos verticais de vídeo e às transmissões ao vivo em múltiplas telas.

Já na segunda-feira, dia 14, a programação recebeu o painel “Futebol feminino entre gerações: experiências, conquistas e novos horizontes”, com a participação da jornalista Marília Arrigoni, da TV Brasil. A discussão tratou de como diferentes gerações de profissionais e atletas enxergam as transformações recentes da modalidade, incluindo o papel da tecnologia na ampliação do acesso às competições.

Segundo Antonia Pellegrino, o convite para que a TV Brasil participasse dos dois painéis está alinhado ao papel que a emissora pública vem assumindo na cobertura do futebol feminino nos últimos anos, ampliando o acesso gratuito das competições por meio de diferentes plataformas, da TV aberta aos aplicativos de streaming.

TV Brasil, dados e o caminho até a Copa de 2027

A presença da Empresa Brasil de Comunicação como apoiadora institucional do WIFS reforça um movimento mais amplo de emissoras e plataformas digitais em direção ao futebol feminino. Além da TV Brasil, que transmite a modalidade pelo terceiro ano consecutivo, o evento também deve funcionar como vitrine para empresas de dados, streaming e marketing esportivo que vêm ampliando sua presença nas competições nacionais.

Durante o evento também foi divulgado o Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas, iniciativa que reconhece atletas, treinadoras, equipes técnicas, gestoras e clubes de destaque na temporada, com votação popular aberta ao público. A premiação é mais um exemplo de como ferramentas digitais de engajamento têm sido incorporadas à estratégia de comunicação do futebol feminino brasileiro.

Para especialistas do setor, encontros como o WIFS tendem a se tornar cada vez mais frequentes à medida que o país se aproxima da Copa do Mundo de 2027, quando a demanda por tecnologia de transmissão, análise de dados e novos formatos de conteúdo deve crescer significativamente, acompanhando o aumento da audiência e do investimento comercial na modalidade.

A expectativa entre os organizadores é que a primeira edição do WIFS sirva de base para consolidar o Rio de Janeiro como um polo de debates sobre inovação no futebol feminino, unindo tecnologia, comunicação e gestão esportiva em um mesmo espaço, às vésperas de um ciclo considerado decisivo para a modalidade no Brasil.

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