Rodrigo Gonçalves Pimentel pondera quando a cisão societária resolve conflitos entre ramos da família

Diego Velázquez
Diego Velázquez
Rodrigo Gonçalves Pimentel

Quando diferentes ramos de uma mesma família empresária desenvolvem, ao longo de várias gerações sucessivas, visões estratégicas cada vez mais divergentes sobre a condução do negócio original, a manutenção forçada de uma sociedade única e indivisa pode se tornar fonte permanente e crescente de atrito, situação na qual a cisão societária, mecanismo que divide formalmente uma empresa em duas ou mais entidades distintas, surge como alternativa técnica capaz de separar patrimonialmente interesses que, na prática cotidiana, já se tornaram incompatíveis entre os diferentes ramos da família. Rodrigo Gonçalves Pimentel, filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, pontua que a cisão, embora represente medida drástica e definitiva, frequentemente se mostra tecnicamente preferível à manutenção artificial de uma sociedade única entre ramos familiares que já não conseguem mais tomar decisões conjuntas de forma minimamente produtiva.

Diferentemente de uma simples venda de participação societária, na qual um sócio se retira mediante pagamento em dinheiro pelos demais, a cisão societária permite que cada ramo familiar leve consigo uma parcela específica dos ativos e das operações da empresa original, preservando a continuidade de cada negócio resultante sob controle exclusivo do ramo familiar responsável, em vez de simplesmente encerrar a participação de um grupo de sócios na sociedade original.

Os sinais de que a cisão societária pode ser a solução adequada

Divergências estratégicas recorrentes entre ramos familiares sobre investimentos relevantes, expansão geográfica do negócio ou mesmo sobre valores fundamentais que deveriam orientar a condução da empresa, quando se tornam praticamente insolúveis mesmo após tentativas de mediação e negociação prolongada, costumam sinalizar que a manutenção da sociedade unificada já não serve adequadamente aos interesses de nenhum dos ramos envolvidos no conflito societário.

Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel

A paralisação recorrente de decisões estratégicas relevantes, situação na qual nenhuma proposta consegue obter consenso suficiente entre os diferentes ramos familiares com poder de veto mútuo, representa um dos indicadores mais claros de que a estrutura societária unificada já não comporta adequadamente a diversidade de interesses que se consolidou ao longo de sucessivas gerações da família, avalia Rodrigo Gonçalves Pimentel.

Como funciona tecnicamente o processo de cisão de uma empresa familiar?

A cisão societária pode ser total, quando a empresa original se extingue completamente e todo o seu patrimônio é dividido entre as sociedades resultantes, ou parcial, quando a empresa original permanece existindo formalmente com patrimônio reduzido, ao mesmo tempo em que uma nova sociedade específica é constituída para receber a parcela de ativos e operações destacada especificamente para determinado ramo familiar envolvido.

A escolha entre cisão total ou parcial depende diretamente de como os ativos e as operações da empresa original podem ser tecnicamente segregados entre os diferentes ramos familiares, examina Rodrigo Gonçalves Pimentel, análise que exige avaliação contábil e societária detalhada para garantir que cada sociedade resultante da cisão mantenha viabilidade operacional própria e independente após a separação formal.

A avaliação patrimonial na divisão de ativos entre ramos familiares

A definição de critérios técnicos, objetivos e transparentes para avaliar o valor de cada segmento específico de ativos e operações a ser destacado para cada ramo familiar representa etapa particularmente sensível de todo o processo de cisão, já que percepções divergentes sobre o valor relativo de diferentes unidades de negócio costumam alimentar disputas adicionais entre os ramos familiares durante a própria negociação da separação societária proposta.

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A contratação de avaliadores independentes e tecnicamente qualificados, sem vínculo prévio com nenhum dos ramos familiares envolvidos na cisão, tende a conferir maior legitimidade ao processo de divisão patrimonial, reduzindo a percepção de que a avaliação foi conduzida de forma favorável a um ramo específico da família em detrimento dos demais envolvidos, sinaliza Rodrigo Gonçalves Pimentel.

Existem desvantagens relevantes na cisão de um negócio familiar consolidado?

A cisão societária, apesar das vantagens relacionadas à resolução definitiva de conflitos entre ramos familiares, pode gerar perda de sinergias operacionais e de escala que a empresa unificada originalmente desfrutava, além de custos tributários e administrativos relevantes associados à própria reorganização societária e à duplicação de estruturas administrativas antes compartilhadas entre os ramos.

Famílias que optam pela cisão devem avaliar cuidadosamente se os ganhos relacionados à pacificação do conflito familiar efetivamente superam as perdas operacionais e os custos tributários relevantes associados à separação. Rodrigo Gonçalves Pimentel frisa que essa é uma análise que exige diagnóstico técnico detalhado e não apenas a percepção emocional imediata de alívio diante do fim do conflito entre os ramos familiares.

Quando a cisão deve ser considerada como última alternativa disponível?

A cisão societária tende a ser tecnicamente mais adequada quando outras alternativas de resolução de conflitos entre ramos familiares, como a criação de conselhos de governança mais robustos, a mediação especializada ou a redefinição de papéis entre os sócios, já foram tentadas sem sucesso e as divergências permanecem irreconciliáveis ao longo de um período razoável de tentativas.

Famílias que, após anos de tentativas frustradas de conciliação entre ramos com visões opostas sobre o futuro do negócio, encontraram na cisão societária a única forma efetiva de preservar tanto os relacionamentos familiares remanescentes quanto a continuidade econômica de cada negócio resultante, ilustra Rodrigo Gonçalves Pimentel, agora sob controle exclusivo e independente de cada ramo da família original.

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