Em um mercado cada vez mais orientado por critérios de sustentabilidade, Marcello José Abbud, empresário e especialista em soluções ambientais, indica que a gestão de resíduos sólidos tornou-se um dos principais indicadores de desempenho ambiental avaliados pelas certificações internacionais do setor hoteleiro. Hotéis e resorts que buscam selos como Green Key, Rainforest Alliance e LEED precisam demonstrar sistemas estruturados de segregação, coleta diferenciada, redução de resíduos na origem e destinação ambientalmente adequada para cada fração gerada em suas operações.
O caminho entre o cumprimento mínimo dos requisitos e a excelência ambiental real, porém, é mais longo do que os relatórios de sustentabilidade frequentemente sugerem. Aqui, você entenderá melhor o que essas certificações realmente exigem e onde o setor ainda precisa evoluir.
O perfil dos resíduos gerados em hotéis e resorts
Os empreendimentos hoteleiros de médio e grande porte geram resíduos com perfil de composição altamente variado, reflexo da diversidade de operações concentradas em um mesmo espaço físico. As áreas de alimentação e bebidas, que incluem restaurantes, bares, room service e banquetes, produzem volumes expressivos de resíduos orgânicos, embalagens de alimentos e bebidas, óleos de fritura e resíduos de descarte de alimentos vencidos ou não utilizados. Por outro lado, as áreas de hospedagem geram resíduos de higiene pessoal, embalagens de amenidades, papéis e plásticos de uso individual. Já as áreas de manutenção produzem resíduos de construção, óleos lubrificantes, lâmpadas e equipamentos eletroeletrônicos em fim de vida útil.
Conforme esclarece Marcello José Abbud, a complexidade da gestão de resíduos em empreendimentos hoteleiros é amplificada pela sazonalidade da ocupação, que cria variações significativas no volume gerado ao longo do ano, e pela diversidade de fornecedores e prestadores de serviços que atuam simultaneamente no empreendimento, cada um com suas próprias práticas de descarte. Em vista disso, harmonizar esses fluxos em um sistema integrado e rastreável de gestão de resíduos é um desafio de governança que os melhores empreendimentos do setor já aprenderam a enfrentar com metodologia e consistência.
O que as principais certificações exigem em termos de gestão de resíduos?
As certificações de sustentabilidade mais reconhecidas no setor hoteleiro incluem requisitos específicos e progressivos para a gestão de resíduos. O selo Green Key, amplamente adotado em destinos turísticos internacionais, exige a segregação de pelo menos quatro frações de resíduos, a destinação adequada de resíduos perigosos, a adoção de medidas de redução de resíduos na origem e o reporte anual de indicadores de geração e destinação. O LEED, por sua vez, pontua práticas de desvio de resíduos de aterros, uso de materiais reciclados na construção e operação e implementação de programas de compostagem para resíduos orgânicos.

Na interpretação de Marcello José Abbud, as certificações cumprem um papel importante de estabelecer pisos mínimos de desempenho ambiental e de criar incentivos de mercado para a melhoria contínua. No entanto, a distância entre o cumprimento formal dos requisitos e a excelência operacional real é frequentemente subestimada. Isso ocorre porque empreendimentos que estruturam seus sistemas de gestão de resíduos apenas para atender aos critérios de certificação tendem a apresentar desempenho inferior àqueles que incorporam a gestão ambiental como valor institucional e como critério de avaliação de desempenho de todas as equipes operacionais.
Boas práticas que vão além das certificações
Os empreendimentos hoteleiros com melhor desempenho ambiental no Brasil e no mundo compartilham práticas que superam os requisitos mínimos das certificações e refletem uma cultura organizacional orientada pela redução de impactos em todas as dimensões da operação. Em termos práticos, a eliminação progressiva de amenidades individuais em embalagens plásticas descartáveis, substituídas por dispensers recarregáveis de maior durabilidade, é uma das medidas com maior impacto sobre o volume de resíduos de plástico gerado nas áreas de hospedagem. Paralelamente, programas de doação de alimentos não servidos para bancos de alimentos e instituições sociais reduzem simultaneamente o desperdício alimentar e o volume de resíduos orgânicos destinados à compostagem ou ao aterro.
Marcello José Abbud analisa, de modo conclusivo, que o engajamento dos colaboradores é o fator mais determinante para o sucesso de qualquer sistema de gestão de resíduos em empreendimentos hoteleiros. Treinamentos periódicos, metas de desempenho ambiental integradas às avaliações das equipes e comunicação interna que valorize as conquistas ambientais do empreendimento são práticas que transformam a gestão de resíduos de uma obrigação regulatória em uma responsabilidade coletiva assumida por toda a organização.