Treinadores cobram árbitro de vídeo na principal competição nacional enquanto o país já testa grama híbrida e reconhecimento facial para o Mundial.
Enquanto o Brasil se prepara para investir em gramados híbridos e sistemas de reconhecimento facial nos estádios que vão sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027, o Campeonato Brasileiro Feminino, principal competição nacional da modalidade, ainda disputa suas partidas sem o apoio do árbitro assistente de vídeo, o VAR. O contraste levanta uma dúvida recorrente entre torcedores e comissões técnicas: por que uma tecnologia já consolidada no futebol masculino brasileiro e mundial segue de fora do Brasileirão Feminino, mesmo em um momento de investimentos recordes na modalidade? A seguir, entenda os motivos apontados para a ausência do VAR, quais tecnologias já estão sendo implementadas rumo ao Mundial de 2027 e o que se espera dos próximos passos da modalidade nesse campo.
Por que o VAR ainda não chegou ao Brasileirão Feminino
A cobrança por árbitro de vídeo no Brasileirão Feminino ganhou força pública com declarações de treinadores como Thiago Viana, técnico do São Paulo. Em entrevista, ele classificou como inadmissível que a competição ainda não conte com essa tecnologia em pleno 2026, reforçando que erros de arbitragem fazem parte do jogo, mas que soluções tecnológicas já disponíveis poderiam reduzir seu impacto. Viana também citou o recurso do desafio em vídeo, usado na Copa do Brasil Feminina no ano anterior, como uma alternativa mais barata que já havia auxiliado a arbitragem em lances de impedimento e pênaltis.
O comparativo com outras competições reforça o argumento dos técnicos. No Campeonato Paulista Feminino, a Federação Paulista de Futebol bancou a presença do VAR em todos os jogos, o que abriu espaço para que o mesmo modelo fosse cobrado da CBF no âmbito nacional. Relatórios acadêmicos sobre a organização do Brasileirão Feminino também apontam falhas estruturais na competição, incluindo atrasos de arbitragem por problemas logísticos e episódios em que o VAR não pôde ser utilizado mesmo em partidas decisivas, como a final do Brasileiro Feminino de 2025 entre Cruzeiro e Corinthians, o que reforça a percepção de que a implementação da tecnologia na modalidade ainda depende de decisões orçamentárias e organizacionais da CBF.
Quais tecnologias já estão sendo aplicadas rumo à Copa de 2027
Apesar da ausência do VAR no dia a dia do Brasileirão, o país avança em outras frentes tecnológicas voltadas ao Mundial de 2027. Um dos exemplos é a introdução do sistema de reforço híbrido conhecido como stitching, técnica de costura de fibras sintéticas no gramado natural que já se tornou recomendação oficial da Fifa para os campos que sediam suas competições. O Beira-Rio, do Internacional, é um dos estádios que vai passar por essa modernização, tornando o clube gaúcho o único do país a sediar partidas em todas as edições de Copa do Mundo realizadas em território brasileiro.
Outra frente de investimento tecnológico está ligada à experiência do torcedor dentro dos estádios. Empresas especializadas em gestão de ingressos já trabalham com soluções como reconhecimento facial de segunda geração, com exigência de prova de vida e envio de documentos, além de QR Code dinâmico e plataformas integradas de venda de entradas. Segundo representantes do setor, essas tecnologias devem ganhar peso durante a Copa do Mundo Feminina de 2027 como forma de aumentar a segurança e agilizar o acesso do público às arenas, em um movimento que acompanha tendências já usadas em grandes eventos esportivos internacionais.
O que esperar dos próximos passos tecnológicos na modalidade
A distância entre os investimentos tecnológicos pensados para o Mundial e a realidade ainda limitada do Brasileirão Feminino tende a diminuir à medida que a CBF avança com o plano de ampliar premiações, patrocínios e transmissões da modalidade até 2029. A entidade já garantiu cobertura integral de competições como a Série A1 e a Copa do Brasil Feminina, o que cria uma base de receita que pode, no futuro, viabilizar a adoção de tecnologias de arbitragem de forma mais ampla no calendário nacional.
Para clubes e comissões técnicas, o argumento central é que o momento de crescimento da modalidade, marcado por recordes de público e recursos, é justamente a oportunidade para equiparar o Brasileirão Feminino a outras competições que já contam com apoio tecnológico à arbitragem. A tendência, segundo o próprio discurso da CBF sobre profissionalização da modalidade, é que a pressão de técnicos e o avanço da infraestrutura para 2027 acabem funcionando como incentivo indireto para que o VAR chegue de forma definitiva ao principal campeonato feminino do país nos próximos ciclos.
O descompasso atual entre tecnologia de ponta em estádios e a ausência de VAR nos gramados evidencia que o crescimento do futebol feminino brasileiro ainda caminha em ritmos diferentes dentro e fora de campo. Enquanto arenas ganham gramados híbridos e sistemas biométricos pensados para 2027, a arbitragem da principal competição nacional segue dependendo, por ora, do olhar humano. Resta saber se a valorização financeira anunciada pela CBF vai se traduzir, também, em mais tecnologia dentro das quatro linhas do Brasileirão Feminino.
Fontes consultadas:
- https://www.antenadosnofutebol.com.br/futebol-feminino/thiago-viana-tecnico-do-sao-paulo-cobra-presenca-do-var-no-brasileirao-feminino-detalhes-que-fazem-a-diferenca
- https://exame.com/esporte/com-grama-inteligente-brasil-se-prepara-para-receber-copa-do-mundo-feminina/
- https://www.leme.uerj.br/campeonato-brasileiro-feminino-desafios-para-o-futebol-de-mulheres