Ministério do Esporte estima recursos para infraestrutura e legado da competição, enquanto CBF amplia patrocínios e fortalece o calendário nacional.
A um ano da Copa do Mundo Feminina de 2027, que o Brasil vai sediar, o governo federal já trabalha com uma estimativa de gastos entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão para viabilizar o evento. O valor foi apresentado pelo ministro do Esporte, Paulo Henrique Cordeiro, durante evento de contagem regressiva para o Mundial, e ainda não está fechado. A dúvida que fica para quem acompanha o futebol feminino é o que, de fato, esse dinheiro público vai mudar na prática para clubes, atletas e para a estrutura da modalidade no país, além de como esse investimento estatal se conecta às medidas que a CBF já vem tomando para profissionalizar o setor. A seguir, veja para onde deve ir o dinheiro do governo, como a CBF tem fortalecido institucionalmente o futebol feminino e o que esse conjunto de ações pode representar para o legado da competição.
Para onde vai o investimento do governo federal
Segundo o ministro Paulo Henrique Cordeiro, parte dos recursos federais será destinada a obras de infraestrutura esportiva voltadas especificamente à formação de jogadoras, incluindo centros de treinamento. O valor final da Copa do Mundo Feminina de 2027 ainda depende de definições que devem ocorrer nos próximos meses, e a estimativa também não contempla o que governos estaduais e prefeituras das cidades sede vão aportar separadamente. Cordeiro destacou que a cifra é superior ao investimento federal feito na Copa do Mundo masculina de 2014, quando o governo gastou cerca de R$ 30 milhões, ainda que a Fifa tenha prometido um aporte de aproximadamente US$ 800 milhões, equivalente a mais de R$ 4,2 bilhões, para a realização do evento em solo brasileiro.
Além da liberação de verba, o Governo Federal sancionou a Lei Geral da Copa, que reúne as medidas legais necessárias para a organização do que é descrito como o maior evento esportivo feminino do planeta. A legislação trata de questões como recepção de delegações, torcedores e garantias operacionais para o torneio. Seis dos oito estádios que vão sediar as partidas ainda precisam passar por reformas, entre elas a implementação do gramado híbrido recomendado pela Fifa, enquanto Maracanã e Arena Corinthians já atendem ao padrão exigido, o que reduz parte do custo total previsto pelo governo para a preparação das sedes.
Como a CBF tem fortalecido institucionalmente a modalidade
Paralelamente ao investimento estatal, a Confederação Brasileira de Futebol vem ampliando sua própria estrutura para o futebol feminino. A entidade fechou recentemente um novo contrato de patrocínio com o Sicoob, com validade de três anos, cobrindo Brasileirão, Copa do Brasil e Supercopa Feminina. O acordo eleva para cinco o número de patrocinadores das competições nacionais femininas, ao lado de marcas como Hyundai, Amazon, Itambé e Uber, reforçando a estratégia da CBF de comercializar a modalidade de forma unificada e ampliar as fontes de receita disponíveis para o desenvolvimento do futebol praticado por mulheres no país.
Essa movimentação comercial acompanha mudanças estruturais já anunciadas para o ciclo 2026 a 2029, como o aumento de premiações em competições como Copa do Brasil e Brasileirão Feminino, a ampliação do número de clubes participantes e a garantia de transmissão integral das principais competições. Segundo a diretora de Competições Femininas da CBF, Aline Pellegrino, o momento é descrito internamente como uma mudança de olhar da entidade em relação à modalidade, com o objetivo declarado de transformar o crescimento esportivo em oportunidades reais de negócio para clubes e patrocinadores.
O que esse conjunto de medidas representa para o legado da modalidade
A combinação entre investimento público, mudança regulatória e fortalecimento comercial da CBF é apresentada por dirigentes e pelo próprio governo como parte de um plano de legado que deve ultrapassar a duração da Copa do Mundo de 2027. Aline Pellegrino, que também atua como diretora de legado e relações institucionais do torneio, afirmou em entrevistas que o momento é estratégico para o reconhecimento do espaço da mulher no esporte e para o avanço de uma sociedade mais igualitária, associando o crescimento do futebol feminino a uma transformação social mais ampla.
Na prática, o desafio será garantir que a estrutura construída para sediar o Mundial, dos centros de treinamento às parcerias comerciais recém-fechadas, continue sustentando o calendário nacional depois de encerrada a competição. É esse ponto que deve determinar se o investimento bilionário anunciado hoje vai de fato consolidar o futebol feminino brasileiro como um mercado autossustentável, ou se vai depender de novos aportes públicos e privados nos próximos ciclos para manter o ritmo de crescimento observado em 2026.
O cenário atual mostra um alinhamento pouco comum entre governo federal, entidade máxima do futebol nacional e iniciativa privada em torno da modalidade. Se esse alinhamento vai se traduzir em ganhos duradouros para atletas e clubes, ou apenas em uma vitrine pontual associada à Copa do Mundo de 2027, é algo que só os próximos anos poderão confirmar, à medida que os investimentos anunciados forem efetivamente executados e monitorados por quem acompanha de perto o futebol feminino no Brasil.
Fontes consultadas:
- https://jovempan.com.br/esportes/futebol/a-um-ano-do-mundial-brasil-aposta-em-legado-da-copa-para-o-crescimento-do-futebol-feminino/
- https://www.dgabc.com.br/Noticia/4331180/governo-projeta-gastar-entre-rs-500-mi-e-rs-1-bilhao-com-a-copa-feminina-
- https://br.bolavip.com/futebol-feminino/cbf-amplia-investimentos-e-fecha-patrocinio-com-o-sicoob-para-o-futebol-feminino